Brilho

Sempre à espera que os seus dias brilhem!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sol de Inverno




No Inverno, quando o dia amanhece solarengo, lembro-me dos brilhos que tenho guardados no armário.

Até que enfim, chegou o momento que esperava. Nunca mais vos levava a passear à rua.

E agora, onde vamos?

Comecemos por um exercício de contemplação do horizonte. Nada como nos deixarmos inspirar.



À hora de almoço, vingo-me numa esplanada, custe o que custar.....

Caminhar faz bem à alma e faz uma mulhéri oxigenar.

Aproveito para testar o equilibrio em cima dos saltos de quinze centímetros que hoje trouxe calçados.






Vá, agora diz, diz lá a ti própria que não valeu a pena, sentares-te aqui, numa esplanada, a limpar a mente, de olhar pousado no rio, a sentir o calor do sol tocar-te?






Au revoir!

O dia antes


Terça-feira é aquele dia que não aquece nem arrefece.

É o dia que antecede o dia de mercado, aqui por estes lados.

Sim, o dia de mercado. Esse começa brilhante, com trânsito congestionado, montagem de bancas de venda, o povo a passar de um lado para o outro da estrada só com os preços mais baixos em mente e o fito de comprar a mais suculenta fruta e as hortaliças mais viçosas, para fazer brilharetes na cozinha o resto da semana.

A D. Lucete enche o carro de duas rodinhas. Ai não, à noite tem lá as duas netas a jantar. As miúdas estão em fase de crescimento e tudo parece ser pouco para aconchegar aquelas santas barriguinhas. Para além disso ainda compra para os filhos que não moram longe e não têm vagar ( o que eu gosto desta palavrinha, que me aproxima tanto das terras alentejanas).

O Sr. Joaquim vai há anos aviar-se à praça, porque a mulher não se dá a esses convívios populares. Já está reformado e diz-lhe a D. Alice que não faz mais nada que a sua obrigação. É o único contributo que dá ao lar. As voltas com o rafeiro não contam, afinal foi ele que o foi buscar.

É certo e sabido. O Panças - nome que lhe deu em homenagem à barriga de nove meses que o acompanha e da qual não se consegue livrar - é presença assídua neste reboliço matinal. Fica a ver o espetáculo, de trela presa ao sinal de passagem de peões. É bicho manso e bem comportado.

Homem bem apessoado, o Sr. Joaquim sai à rua perfumado. Faz negócio enquanto lança charme às moças do peixe e catrapisca os enchidos e os queijos que mais tarde há-de depenicar, enquanto bebe o seu descafeinado, com adoçante, para não engordar.


- Vá, leve lá mais meio quilo que é o nosso melhor cliente - dizem-lhe as filhas da vendedora, que o conhecem desde gaiatas e gostam dele como de um pai.

Quanto mais se desespera, mais tempo se demora  a chegar à estrada principal. O condutor do autocarro apita para o homem da carrinha branca mal estacionada, que a vender a três euros, se perde em manobras para chegar rapidamente com o stock ou é devorado pelo mulherio a esbracejar. 

- Ó amigo, tenha lá paciência! Dê aí um jeitinho à manobra.

Saem casacos, camisolas, sai tudo aquilo de que se possa precisar. Sai cueca, sai peuga e ainda se arranjam outras "utilidades" que não podem faltar.

É o dia da freguesia. Não há nada a fazer. O pequeno comerciante que há em cada um de nós revela-se e é dia de regatear.

Para quem passa a semana dentro duma caixinha de fósforos, perdido entre greves de transportes que se sucedem, dia após dia, e vai certamente chegar atrasado ao trabalho, este é um dia diferente. As pessoas pasmam, à falta de melhor passatempo, a contemplar a azáfama dos locais, enquanto o homem, em pé lá ao fundo, parece prestes a rebentar.

- Esta gente não tem vergonha nenhuma! Fosse eu mais novo...

A mulher, no lugar ao lado, desvia-se, porque tanta predisposição de manhã, é de estranhar.

- Ó senhor motorista, é para avançar? - pergunta o homem, agitado.

Os cafés enchem, neste dia em particular. Pausa para a bica e para a bola de berlim. Senhores, nestes dias arranja-se estômago para frituras logo de manhã e muito mais.

Se a maior aproximação que se pode ter á vida agrícola é a de agarrar um belo molho de nabiças ou comprar uma saca de batata, e fazer parte deste enredo fenomenal, então toca a marchar para os mercados locais!

Para quem gosta de madrugar!!!




sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Em câmara lenta


A sala está cheia.

Todos nós, homens e mulheres, vestimos roupas de cores mortiças. Preto, beije, castanho e cinzento são as tonalidades dominantes.

Por mais que tenhamos lutado, de manhã, em frente ao espelho, mexido e remexido o roupeiro, foram estas as cores que trouxemos connosco.

A luta contra a permanência das nuvens escuras da estação nas nossas vidas não está a surtir os efeitos devidos. Elas não nos abandonam e colam-se às nossas vestes, aos nossos semblantes, aos nossos estados de espírito.

Aqui estamos, em bloco sorumbático, de olhos cravados nas folhas, no quadro e no horizonte, que tantas vezes corresponde a um mero ponto focado na parede da frente, à malha que se abriu nas meias rendadas da colega em frente e insistem em percorrer-lhe as pernas!

Ela entra na sala, já depois da hora e espalha uma agradável mistura de cheiro a flores e chuva  pelo ar.

A visão daquela mulher, de finos cabelos loiros escorridos, ancas generosas, de vestido verde, floral, fluído, ligeiramente drapeado na zona da cintura, coberta por um casaco acolchoado verde de corte imaculado,  punhos roxos elegantes, faz esquecer o vendaval lá fora, as duas horas passadas entre transportes públicos para ali chegar, o remoinho de vento que se formou à entrada do prédio e quase a impediu de andar.

É só um vento mau...vai passar!

Os olhos do mulherio desprendem-se das secretárias, das letras, dos conteúdos, para contemplar a forma, a miragem daquela flor viçosa que desabrochou num tristonho dia de inverno, para gáudio nosso.

Não se sabe se para os homens a entrada foi assim tão triunfal, mas para nós, mulheres, que olhamos umas para as outras, notamos o que poderia ter sido vestido, o que está em falta, o que é excessivo e comentamos, invejamos ou deixamo-nos inspirar umas pelas outras, este foi o acontecimento.

De repente, na gravata do homem em frente, que parecia desdotada de qualquer interesse, já se fazem notar umas pequenas frases, escritas a dourado sobre a base bordeaux. Do fato cinzento escuro sobressaem as riscas cinza finas, que lhe dão um certo requinte.

Os olhos encovados da mulher de casaco grosso parecem ganhar brilho.

As cores começam a aparecer, em câmara lenta, e o dia ganha luz.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Onde o mar é mais azul.....


Curiosamente, a vida encarrega-se de nos encaminhar para lugares familiares, carregados de boas recordações e aos quais não pensávamos tão cedo voltar.

Para nos poupar, pode afastar-nos dos que nos trazem piores lembranças, mas muitas vezes obriga-nos a construir neles histórias diferentes, para nos dar endurance, couraça ou outro nome que lhe queiram chamar.

Hoje conheço melhor as ruas por onde andámos.

As coisas mudaram mas continuo a olhar para a capela que foi ali plantada, virada para o mar e imagino o que sempre imaginei, há quase vinte anos atrás....uma noiva de vestido cor de champanhe comprido a subir ao altar, pelo braço do pai, ao som da música romântica que o casal tinha por hábito dançar, uns trinta convidados, o noivo à espera a stressar....


Pronovias, 2013


«Ericeira, onde o mar é mais azul, das belas praias do sul...»

Carambra, que lindo sítio para casar!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ai tanto medo


Querido 2013, ainda agora começaste e já ando a descompôr-te.

Praguejo contra ti, a torto e a direito, a todas as horas do dia.

Entras assim, logo a matar, é? Ao menos disfarçavas e fazias as apresentações com luvas de pelica.

Mas não, toca a levar logo com os teus maus fígados nos primeiros dias do ano. Vens tão azedinho filho!

Depois das festas, da lóooocura, de ter andado no roça roça com o Luís em cima das colunas da disco night lá d'aldeia, de ter sido levada no dia 1 de janeiro, para casa, por um agente da guarda, depois de ter praticamente desmaiado à mesa, ao almoço, quando olhei para o copo de vinho de quase meio litro do meu pai, depois  de ter ingerido mais de 20kg de açucar e outros tantos de óleo fula, depois de tudo isto e de quase ter esquecido que não nasci abrasonada e preciso regressar ao trabalho para sustentar este corpinho e todos os seus vícios, olho para ti, aninho querido, com o mesmo olhar enamorado com que olho para a escadaria da Sé de Braga......

Mas deixa estar que eu sou forte. Se no ano passado consegui deixar de roer as unhas, como havia prometido (sim, fui pôr unhas de gel, ao corner das nails, mas não as roo, pois não? então conta à mesma), este ano, nem que tenha de ir de propósito à Zara, comprar aquelas calças de ginástica que agora a malta usa na cidade, só p´ra mostrar as curvas, hei-de galgar por aí acima, mês após mês, sem te dar tréguas. Olha que jurei a pés juntos que começava a fazer ginástica! Hoje em dia, vale tudo para nos pormos em forma....


Luisinho, filho, não me escapas. Ana Rita, vê se te pões a caminho que o homem é meu! Lá por te teres andado a passear com ele, rua acima, rua abaixo, no dia de ano novo, deves achar que fazes parte das 10 mais sexys do pedaço. As pindéricas, lá da empresa que não pensem que me passam a perna. O prémio já cá canta. Minhas amigas, vejo mais a dormir que vocês acordadas...

E mais não digo, que ainda me chega a mostarda ao nariz e a conversa pode azedar.

Deves pensar que metes medo!!! Ai que toda eu tremo....cuidadinho com o ano do azar. Manda vir ó enjoadinho.....