Brilho

Sempre à espera que os seus dias brilhem!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Estava eu num sunset e deu-se-me um arrepio de frio.......




Anda uma pessoa a lutar contra o calor e já as revistas de moda nos inundam com as tendências outono/inverno.

A bem dizer já dei umas vistas de olhos por umas quantas e gostei do que aí vem para a nova estação. Mas as temperaturas altas não me deixaram fazer um estudo muito apurado.

Só comecei a pensar em ropitas quentes, com alguma seriedade, neste sábado que passou.

Passo a contar....

Às cinco da tarde, estava eu num "mega evento" campestre (eh eh.....não, não era um sunset...era mais um pic nic Tony Carreira) e levantou-se um vento frio, que se prolongou noite dentro e me fez ter vontade de calçar, com a sabrineca que trazia calçada, uma bela meinha branca para aquecer os calcantes e embrulhar-me naquele casaco de lã, ranhoso, de trazer por casa, que é a peça de roupa preferida do meu gato.

A parte triste é que a gaiatada corria transpirada à volta dos adultos, todos arrepiadinhos. Ai a idade! O frio não lhes assiste.

Destes desejos tão singelos de tapar as perninhas com uma mantinha ou calçar um bom soquete, brotou, assim, de repente, a vontade de espreitar aquelas coisinhas mais chiques que já tinham andado sob o meu olhar.

Vai daí debrucei-me sobre a coleção de inverno da Ungaro ....

E toma!
 
Esqueci-me da peuguete num instante!

Ai estas miúdas tão chiques....credo!!! Ai estas cinturinhas!!!


Olha esta! Deve saber que me pelo por doirados. Nem que tenha que ir comprar uma latinha de tinta ali à drogaria da esquina ...hei-de pôr-me cheira dos brilhos.

 
A que comanda as outras, com a mania, mistura tudo. Ele é bolas, ele é tigresse...deve pensar que é fina.....

                                                             

                                                                         TUDO LINDO!
                                                                          Pura elegância. Para inspiração.....

domingo, 25 de agosto de 2013

Até a realidade chamar!


No bar ouviam-se músicas cubanas, bebiam-se bebidas coloridas e ouviam-se gargalhadas estridentes.


Mas nem sempre apetece ficar onde tudo acontece.

Encaminhei-me lá para fora. Sentei-me nuns bancos laranja e deixei-me ali estar, a contemplar o mar  picado.

Deixei a Maria e o António a dançar aqueles ritmos calientes e fiquei a ouvir o rebentar das ondas nas rochas durante uma meia hora.

Pelas cinco da tarde levantou-se um vento frio, que me fez querer ter um casaco de lã por perto. Certo é que ele não estava por lá.

Mesmo com pele de galinha não apeteceu abandonar aquela paz.

A natureza é tantas vezes generosa e apaziguadora. Encarrega-se de nos remete-nos à condição que no momento, nos é elementar.

Deixei de ouvir os burburinhos da minha alma, e consegui ouvir Silêncio.....

 
É quase sempre assim, quando me aproximo do mar, só para o observar.

A Maria, com medo que eu estivesse a começar uma crise existencial, veio-me tirar daquele estado de contemplação e a farra voltou-se a dar.


A experiência havia-se repetido há dias atrás.

A comer uns belos caracóis, ao fim da tarde, numa zona piscatória, num café minado de malta a beber a sua mini, a comer a sua bifana banhada em mostarda e a puxar pela voz, não consegui deixar de me aproximar do que o rio tinha para dar.

Ouvi o Carlos contar que havia levado a mota à oficina e tinha lá deixado o ordenado. Já não ouvi com tanta intensidade o miúdo que gritava pela avó, para voltarem a casa, porque estava com fome, para o jantar.

Contei os tons distintos que a paisagem oferecia, as gaivotas que por ali andavam a pairar, os barcos atracados ao cais....

 
 
Novamente se fez Silêncio....
 
Costumo chamar este estado de "esparvoamento total". Chega a dar vontade de ficar alí a babar..... 
 
...até a realidade chamar!
 
 

sábado, 17 de agosto de 2013

Pequenos desvarios

 
Foi com pés de lã que lhe pedi que fotografasse os meus novos sapatos brancos.


E ele veio, com a habitual paciência e inspiração. Fiquei a andar sobre nuvens.
 
Ele não sabe, mas tem dentro dele um grande artista e eu tenho em mim um forte gosto por tudo o que ele faz!


Perna esquerda para ali, a direita para acolá. O pormenor dos laços na camisola fica tão bem e os tons dourados de fundo!
Ai fica? -  dizia-lhe eu.
 
E no final, despedi-me dele com um enorme carinho.

Mais do que o meu "fetiche" por fotografias de pernas em saltos altos, ele alimenta, nestes breves momentos, o meu amor pelo sonho e pela arte.

Gosto de contar contigo para estes pequenos desvarios!!!!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Não gosto de praias vazias



Não gosto de praias vazias, como as que nos vendem as agências de viagens em packs românticos.

Não gosto das espreguiçadeiras altas, distantes da areia e dos toldos chiques que se alugam ao dia.

Gosto de chegar com chapéu para espetar na areia, cesta com mantimentos, água, protetores contra todos os UV que me possam atacar,  e colocar-me estrategicamente entre duas famílias e se possível alguns grupos de adolescentes que estejam ali para ficar.

Eric Fischl portrait

É o pai que vai com os filhos à água, enquanto a mãe põe a leitura em dia, é o puto mais pequeno que dormitava ao lado e repentinamente arranca num brutal ataque de choro, que a impossibilita de passar mais de duas páginas. A canalhada que, ao lado, larga as suas asneiradas e fala de engates.

É o tio chique que lê o jornal de negócios, mas não resiste ao pregão da senhora que vende bolas de berlim carregadas de creme.

É a gordinha que se passeia mais sorridente e feliz pela beira d'água, que a magrela que compõe de cinco em cinco minutos a parte de cima do biquíni e se move estrategicamente, em poses de revista, para que não se note o meio quilo que engordou nos últimos dias.

O homem que se desloca de canadianas pela praia, tão alegre e carinhoso com os amigos do filho, que parece ter a mesma idade e energia deles e nos enternece.

O cheiro contagiante dos protetores solares, os sombreros com publicidade a cervejas e às riscas das mais variadas cores, que nos enchem as vistas.

Os nadadores salvadores jeitosos que espiam os malucos que se aventuram para além do que lhes é permitido. Os ousados que se atiram dos pontões.

Os dois amigos, de abdominais definidos que chegam ao final da tarde para dar só um mergulho, depois de um dia de trabalho no call center. As miúdas de corpos esguios que recebem a primeira aula de surf.


Os pequenos que saem do banho e se enrolam na areia, quais croquetes prontos a ir ao forno e gritam para que os pais vejam a sua importante exibição.

A família de emigrantes franceses que prepara sandes para os filhos, sobrinhos e enteados que, em fase de crescimento, comem sem parar.

O solitário que acabou de se estender aqui ao lado, de toalha na mão e protetor solar.

É impossível, por agora, gostar de praias vazias, porque essas contam tão poucas histórias......

Talvez qualquer dia, as passe a apreciar.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A miúda da tatuagem


A miúda da tatuagem era a mais gira, naquela tarde, a cirandar pela piscina.

De pele morena, sorriso aberto, chegou com a família e  ficou uns parcos minutos, estendida numa espreguiçadeira, de phones nos ouvidos, talvez a ouvir Anselmo Ralph.


Nuns frescos e irrequietos não mais de dezoito anos catrapiscou os giraços que, de calção pelo meio da perna, óculos de sol de cor garrida e poupa no alto da cabeça passeavam charme à volta dela.

Depois levantou-se, foi até ao chuveiro refrescar-se, sentou-se à beira d'água. A seguir atirou-se, fez piscinas, cambalhotas. Ficou até não poder mais.

Impossível não contemplar. Ser jovem tem graça e esta pequena fez-me relembrar as horas perdidas de verão em que tudo eram possibilidades.....

....em que era suficiente ser meio menina, meio mulher!