Brilho

Sempre à espera que os seus dias brilhem!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Qual das duas?




Fim de semana que se preze tem sempre duas vertentes para uma mulher:
Gata borralheira...
Cinderela...
Depois é só fazer, nas duas, a performance que nos fizer mais feliz!



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Romãs e castanhas



Na sua meninice, a Ana passava fins de semana de outono no Alentejo, na casa dos avós, - a "casa da terra"- que a esperavam sempre saudosos.
As chegadas eram sempre celebradas com abraços ternos e demorados e a sensação era a de que naqueles momentos a conseguiam envolver, por completo, em toda a sua pequenez.  
A miúda chegava e era tempo de a brindar com pequenos mimos.
O tempo frio convidava a pequenos almoços reconfortantes, com leite achocolatado e bolos caseiros, preparados propositadamente para a visitante.
E nos lanches não podiam faltar as esperadas castanhas assadas, estaladiças por fora e  cremosas no interior, que se desfaziam na boca, e lhe aqueciam o coração.



Damian Haas, food photographer

As romãs, que abundavam naquela época do ano, eram carinhosamente descascadas e colocadas à mesa na mais bonita taça.
Ela sempre gostou daquela explosão de sabores que resultava da mistura do gosto ácido das romãs, entrecortado pelo doce do açúcar, com que os reluzentes bagos vermelhos eram envoltos. 
Que bem lhe sabia,  ficar ali sentadinha, num pequeno banco de madeira, entre a avó Luísa e o avô Bernardo, a ouvir as histórias das gentes da aldeia, enquanto aquecia as mãos ao lume e ouvia o crepitar das primeiras castanhas.
Outras vezes, deixava-se estar na mesinha do quintal, à espera do pitéu, enquanto fazia, afincadamente os trabalhos da escola. Parece que ainda é capaz de sentir o cheiro doce das castanhas, o cheiro quente do lume.
Os serões passavam-se à braseira, com a família reunida. A Ana era ouvinte atenta das "conversas dos adultos" em que à medida que foi crescendo, ganhou direito a lugar.
Há um sabor misterioso no inverno e por isso esta é a estação do ano que elege.
Trocaria perfeitamente um dia de praia, com direito a mergulho, por um passeio a pé no campo a contemplar os tons que a natureza, nesta época, lhe oferece.
Como tem andado a organizar um magusto com uma "tropa de elite" lá no trabalho, estas memórias inundaram-lhe o pensamento.
Para dar vida a recordações que lhe são tão queridas, e em jeito de homenagem ao que já passou, a Ana delicia-se a cuidar dos preparativos, como se aqueles tempos distantes se fundissem com o momento presente.
Cada interveniente trará um manjar para degustação, a pretexto de haver acompanhamento para a castanhada, para além da natural pinguça, sempre presente.
Visualizou de imediato uma bola de carne, a sair de um forno de lenha, a fumegar, que adora. Não virá à mesa exatamente nestas condições, mas já coagiu a expert no assunto, a colega recatada e prendada do pedaço, a trazê-la.
Depois falou-se num presuntinho, pão com passas e azeitonas, um queijito, umas compotas, marmelada...
Pois que o mulherio organiza, vais às compras e cozinha e os colegas "machos" ajudarão...comendo!
E como a tropa é difícil de controlar no domínio da doçaria, parece que tem de haver bolo para finalizar.
Ela até se tinha lembrado de umas romãzitas, que ficam tão bem à mesa com umas castanhas, mas a coisa não colou.








segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Fishnet tights...What?


Recordo-me de usar estas meias na minha adolescência.
Lembro-me de as vestir para um aniversário na casa de uma amiga da escola. Conjugadas com um belíssimo conjunto de camisola e mini saia de malha cor de rosa, numas pernas muito magrelas. Ficavam um must, como podem imaginar.
A toda esta produção acrescia o cabelo à vassourinha, depois de ter feito a primeira permanente.
Por essas alturas ouvia-se muita Madonna, Bon Jovi, Europe, faziam-se muitos bailes da vassoura...
Como se viviam as primeiras paixões, apostava-se tudo no outfitt e acreditava-se que o resultado era o melhor. O acne facial é que não ajudava.
Então, quando vi esta moda vintage reaparecer, em bom, pensei:
- Cecília, tu não podes perder o combóio. Atualiza-te mulher. Tu vai ver como é que a coisa se anda a usar por aí pelas it girls.
Agora tens oportunidade de te redimir daquele visual, dos doze anos.
Agora, que passaram quase.....ai Deus Nosso Senhor....trinta anos!!!! Cruzes credo!
Depois de muito pesquisar concluí que gostei, gostei deste regresso das fishnet tights, como lhes chamam. Bem mais chique do que no tempo das "meias de rede". Porque eram tempos menos "gourmet". As coisas não tinham nomes requintados. Eram mais "povo", sei lá!
Mas também apurei que é difícil usá-las e ficar bem. Ou melhor, é preciso saber como as usar.
Gosto da versão roqueira!




Adoro a versão mais chique, com saia ou calças. Mas tenho um bocado de dificuldade em gostar delas em formato soquete, com o cós a ver-se. No entanto, é sempre possível abrir uma ou outra exceção.








 E ficam muito jolies na versão desportiva.



Pensar que já mademoiselle Marilyn as adorava...
Ó tempo, volta para trás....






quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Demasiado doce?


Sou pessoa que foge dos doces como o diabo da cruz.

Não é que não goste deles, não, nada disso, mas fazem um mal desgraçado à saúde e o corpito sente. Ó se sente.

Então, para os evitar, sou pessoa que nem passa pelo corredor da doçaria nos hipermercados. Contratei um funcionário para disparar um alarme caso me apanhe por lá.

Em casa só há uns pacotinhos de açúcar e não me dedico minimamente à doçaria.



Tenho um amigo que abdicou dos açucares. É que o rapaz aguenta-se à bronca mesmo. E passado algum tempo de se ter entregue à filosofia Sugar Free, estar na presença da tentação já lhe é indiferente.

Eu diria que ele atingiu um estado de nirvana. Fiquei fã.

Como não consigo alcançar esta imunidade, prefiro nem sequer estabelecer contacto com eles. É o melhor! Isto porque uma vez na sua presença, não se tira uma dentadita...não! Isso é para meninos.

Pareço o nobre guardador da boa moral que preparava os discursos ao pároco no filme Chocolat, que após apregoar tanta abstinência pascal se entrega totalmente ao pecado da gula na tentadora loja de chocolates de Vianne (Juliette Binoche). 



E uma mulher não é de ferro. Uma pessoa não pode estar sempre em negação. Ou melhor, é difícil estar em permanente negação. E a malta não ajuda...sempre prá frente e pra trás com um bolo, uma queijadinha, um docinho regional, outro conventual...

Ainda há uns dias ofereceram-me esta obra de arte. Esta criação dos deuses, mesmo em frente aos meus olhinhos.
Como resistir? Olha agora, ficava-me só pelo suspiro?


















Por toda esta insanidade que é a minha relação com os doces procuro agora, em processo de recuperação, alcançar a estabilidade. O meu Eu indisciplinado, entrava em desvario quando os avistava. Agora, sou moça séria, bem comportada.

Não se nega mas não se abusa. Convive-se com a obscenidade que é a exposição constante a iguarias que se superam diariamente, para nos fazer babar.

Prevarica-se ocasionalmente e em ocasiões festivas, quase única e exclusivamente.

E veja-se, a minha desgraça muitas vezes consiste no desfrute de um bom Pão de Deus. Não pode é ser qualquer um, porque tem de ter o côco ainda fresco por cima.




Continuo no entanto a negar a frequência de boas pastelarias, a que ultimamente chamo "Antros de Pecado", porque senão caio em desgraça.








































quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Finalmente o Wellington!






Sexta feira passada foi a minha vez.


Depois de ver o Gordon Ramsay ensinar a confecioná-lo, dar raspanetes infinitos por causa dele, esmerar-se para que ele fosse apresentado sempre no seu melhor...






E por me aperceber da dificuldade que é cozinhar este prato, eu tinha de me debruçar sobre o assunto.


Isto de ainda não o conhecer pessoalmente, e só através da televisão, como às figuras públicas estava prestes a mudar.


E lá me iniciei, no famoso Bife Wellington, no restaurante Steak House do Parque das Nações.


Quando esta obra prima chegou à mesa, procedi ao primeiro corte, crucial para verificar se efetivamente não se encontrava passado do ponto, tal e qual um verdadeiro chef!


Senti-me qual jurado Masterchef.


A junção de filet mignon envolto em massa folhada estava celestial.
Também lá estava a preparação culinária francesa, que só conhecia das maratonas de programas de culinária que tenho feito, Duxelles, feita com cogumelos (champignons para os mais eruditos), finamente cortados e cozinhados. Delicioso.
Acompanhei-o com um bom vinho tinto, que não pode faltar, e babata doce frita em palito.


Que belo pitéu!



Parece que a receita mais antiga descoberta data de 1966. Assim, por este prato cinquentenário manifesto-me.. respect!



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Vamos ali até ao salão de chá?




Está oficialmente aberta a época do chá! Não era uma pessoa muito ligada a esta bebida, mas desde que me deixei de café, tem sido a minha bebida de recurso.




Um café por dia é suficiente para me manter de pestana acordada. E parece que lhe perdi o gosto.


Então, depois do almoço, estamos de relações cortadas.




Mas isto de reduzir o consumo de café é uma coisa muito chata para uma pessoa viciada em esplanadas. Não tem sido nada fácil.




Já não vale a pena dizer:




- Vamos ali beber um café?




Preferia dizer:




- Vamos ali até ao salão de chá?




Pois se não é café que vou beber. Ai a confusão!




Confesso que ainda estranho chegar ao café e não pedir café. Uma vez perdido o ritual, está tudo tramado.




Mas tive de me resignar. E como carioca de café é coisa pouca, um bocado deslavada, toca a experimentar chás de todos e mais alguns sabores.















Mas pensam que não é estranho beber chá assim, e não pedir umas torradinhas?


Até dói.




Mas pensando bem...chá e torradas ... hum...cheira-me a recuperação de gripe em casa, de pijama e rodeada de lenços de assoar. Chega pra lá!




Um chá e uns scones já me entusiasma. Cheira mais a festarola. Já me parece mais animado.












Mas depois há que evitar os doces. Atina-te! Prevarica só ao fim de semana. Está para aqui um problemão.


Qualquer dia resolvo isto tudo e peço um galão!




Difícil!!!









quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A Miúda "Vista Alegre"

Tem pouco mais de trinta anos, um alma bondosa e postura nobre.
É uma miúda deveras inspiradora.
Tão distinta, que lhe basta pôr um casaco assertoado, uns brincos discretos, risco nos lindos olhos castanhos, rímel nas pestanas, um batom claro nos lábios e fica imediatamente impecável.
Calma, muito delicada e gentil para o próximo, é mulher de valores e senhora de gestos muito especiais. Tê-la como amiga é um bálsamo.
No outro dia, estava a trabalhar, quando recebo uma mensagem dela pelo whatsaap:
- Luísa, encontrei o serviço de jantar Vista Alegre dos meus sonhos, no OLX.
E mandou-me uma imagem com a baixela e respetivos valores.

Lindo!

- Muito bonito, de facto - Respondo-lhe.
- Está super barato, como podes ver. Isto é uma pechincha. Também inclui faqueiro e serviço de copos. E nada foi utilizado. Tenho de o comprar. É pá, tem mesmo de ser - Escreve, entusiasmada.
- Mas há um pequeno pormenor Luísa. O vendedor é do Porto - Continuou ela a teclar.
- Do Porto Clara? - Pergunto-lhe apreensiva.
E em simultâneo, desato a rir-me para o computador, a imaginar a Luísa a vir com um atrelado do Norte, para transportar tanto material.
- Só mesmo tu miúda.
- Já falei com o meu pai e vamos os dois amanhã ao Porto. Ai que excitação. O meu serviço de sonho, o meu faqueiro, os meus copos de cristal.
- Então, mas amanhã é dia de trabalho. Vais tirar férias? - Pergunto-lhe, admirada.
- Férias? Não! Saio amanhã um pouco mais cedo, pelas quatro e meia da tarde.
- Mas voltam no dia a seguir? Dormem lá?
- Nada disso Luísa! Volto na mesma noite.
Pensei cá para os meus botões que a miúda só podia estar mesmo muito entusiasmada com as loiças dos sonhos. Então, o que te cabe a ti fazer Luísa? Apoiar, apoiar, apoiar. Como se estivesses num jogo de futebol, a torcer pelo sucesso do teu jogador de eleição...
Hummm....mau exemplo mulher! Deves estar esquecida que não és dada aos futebóis.
Torcer por esta viagem, pelo sucesso desta compra Low Cost, como se torcesses pelo reencontro de um grande amor. Assim já funciona melhor, ou não fosses tu consumidora compulsiva de comédias românticas.
A minha Clara é mesmo doidona. Tem uma energia!
Só de pensar na agitação que vai ser o dia dela já fico cansada (esta minha naturalidade alentejana sempre a manifestar-se!).
Sou muito amiga dela, mas cá nestas coisas dos improvisos não somos nada parecidas. Para investir em tamanha aventura (sim, isto para mim seria uma aventura, ao género das que os gaiatos leem nos "Cinco". Alto!Enxerga-te que a miudagem já não lê esses livros, como há trinta anos atrás) esta quarentona tinha de tirar dois dias de férias, com o fim de semana de permeio. E mesmo assim ia suar.
E quando concluo este rol de pensamentos solto uma gargalhada. Caramba, as pessoas são mesmo muito diferentes. E isso tem tanta graça.
Mas isto da ida ao Porto é mesmo da Clara. Tem queda pela cidade, só pode.
No ano passado foi ao Coliseu de Lisboa ver um concerto de um fulano XPTO lá das músicas que ela adora. Passou-se, adorou o concerto. Veio ainda mais fã do homem. No dia seguinte de manhã liga-me a dizer que à noite ia ali até à Invicta, num pulinho, ver novamente o bendito concerto. E voltou na manhã seguinte, fresca e fofa para trabalhar.
As histórias da Clara são sempre originais.
E cá está. Nova mensagem.
- É pá Luísa! Mas tenho medo. E se o senhor com quem nos vamos encontrar nos fizer mal? - Escreve-me ligeiramente ( mas mesmo ligeiramente assustada).
- Não te preocupes - Digo-lhe eu, armada em valente, euzinha que no caso dela já devia andar a contorcer-me com cólicas de tanta "cagunfa".
O senhor teu pai defende-te. E descansa, que uma pessoa que vende um Serviço Vista Alegre no OLX não me parece ter grande propensão para o crime.
- Goza, goza. Olha que há facas robustas no faqueiro - Responde-me com smiles que choram a rir.
Eu do lado de cá rio-me alto. E o vizinho do lado cá do escritório olha-me, com curiosidade.
Eu até percebo esta miúda, a Miúda Vista Alegre. Porque afinal, eu sou daquelas cujas mãezinhas lhes foi fazendo enxoval. E a minha, mestra em bom gosto, sempre me alertou para a importância de uma mesa bem posta, quando se recebe alguém em casa. Dizia ela que eu precisaria, para os meus jantares requintados. Eh eh! Super requintados, diria! Com ela era sempre tudo elevado ao expoente máximo!

Só não me esqueço, se andar com a imagem atrás!!!

Era fácil transportar-me para aquele ambiente de que ela me falava, rodeada de amigos e familiares, numa mesa impecavelmente posta com o que com tanto carinho comprávamos, com total apoio do progenitor pai, a esta bela marca nacional.
Sempre a compreendi quando me dizia que seria intemporal. Ainda mais comprado com ela. Eu tinha a certeza que nunca estaria desatualizado.
Teria de funcionar na minha futura casa. E foi meticulosamente guardado no sótão durante uns aninhos, por papai, até me mudar. E funcionou, passados dez anos. Passados vinte continua a funcionar. Em ocasiões especiais, em almoços e jantares mais triviais.
E o bem que me sabe beber um belo vinho num copo de cristal.
Quando o serviço é levado à mesa, parece que a oiço falar.
Por isso não posso deixar de me encantar com a aventura da Clara. Há uma parte do meu passado que sinto que também lá está. Memórias doces. Se eu tive alguém que tão carinhosa e generosamente pensou como embelezar as minhas refeições futuras, eu quero que a Clara sinta o entusiasmo que eu sentia quando escolhíamos as loiças, ou quando estou a sentar-me à mesa com o que vou tirando do louceiro.
São pratos, são copos, são talheres? Não! São muito mais. Nunca disse isto à Luísa, mas há sintonias que não precisam de ser explicadas. Basta aproveitar.
E lá foi ela feliz e contente até ao Porto.
Quando lá chegou enviou-me uma mensagem, que reportava que o vendedor era de boa índole.
E claro, houve lugar a mais risada virtual.
Voltou com o carro carregado para baixo. E vinha feliz da vida, porque ainda estava tudo nas embalagens originais.

Toca a acelerar!

A Clara parecia ter descoberto um tesouro perdido. É demais.
Mandou-me fotos dos inúmeros caixotes que agora tem em casa para arrumar.
- Ó Luísa, estive para aqui a pensar, enquanto olhava para as caixas. Vou precisar de um louceiro para acondicionar tanto material - Disse, em jeito de graça.
- Nem quero pensar onde o irás buscar. Espero que seja em Portugal Continental..
E ao telefone, desatámos as duas a rir, para não variar.