Brilho

Sempre à espera que os seus dias brilhem!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Chove sem parar



Chove há dez dias, consecutivamente.

Não sei se a minha maior irritação é não conseguir secar a roupa dos miúdos ( incluindo a do miúdo grande);

saltar de transporte em transporte até chegar ao emprego, atracada ao chapéu de chuva, completamente repassada;

partir as varetas do chapéu que comprei na loja do chinês, com a primeira rabanada de vento.

Acho que não vou optar. Escolho todas!

E irritar-me com a chuva faz-me sentir culpada.

Que desatino! Afinal, casei num dia de chuva...


E esse, foi sem dúvida alguma, um dia para recordar!

Na véspera regressei propositadamente a casa dos meus pais para cumprir a tradição.

 A Sara dormiu por lá...ou melhor, não dormiu, nem me deixou dormir...

Isto de se convidar a melhor amiga para madrinha, tem que se lhe diga...não sossegou com a excitação!

Acordámos já estoiradinhas às sete horas da manhã. Chovia a cântaros....

O meu mano cassula olha lá para fora e manda a piadola:

- Quem te manda casar em Janeiro! E sai por ali fora  a zombar.

A Rosa chegou atrasada para me tratar dos cabelos porque ficou presa no trânsito...

O João ligava-me constantemente por causa do primo chato que tinha vindo do norte, que não queria aturar....

Ainda me propôs que fugíssemos para um qualquer paraíso tropical.

E eu estive quase, quase, a aceitar.

A minha mãe choramingava pelos cantos da casa.

Ou era emoção ou medo que bloqueassem estradas e a boda não se realizasse.

E os croquetes, as empadas e os enchidos...os sumos de laranja, as infusões, tudo à espera dos convidados na sala de jantar, que passou a pente fino mais de vinte vezes, sem parar.

Estava possessa e entre dentes vociferava:

- O homem tinha razão! O teu pai tinha razão. Arre que o homem tem sempre razão!

Sei que quando tentámos entrar para o carocha que me havia de levar à igreja, tinha uma fila de chapéus de chuva a ladear-me, para não sujar o vestido, não esborratar a maquilhagem e não me despentear....

Temos fotografias hilariantes das primas a tentarem salvar-me.

Só parou de chover no copo-de-água, lá pelas cinco da tarde.Já era noite escura e estava tudo alegremente alcoolizado....

Nem é preciso dizer que os vestidos das convidadas e o meu rico vestido de noiva estavam ligeiramente enlameados...

Mas foi tudo tão feliz! O meu pai, que não sabe pitada de inglês, foi cantar Frank Sinatra para o Karaoke, como os amigos do João. Foi de fugir, mas de chorar por mais.


E hoje, olho com o Sebastião pela janela, enquanto espero que os miúdos cheguem a casa e pergunto-me....

 - Como é que a chuva me pode irritar?


- Deixa isso para lá Maria. Disse em voz baixa, só para ser ouvida pelo meu coração....

- Dias de chuva são do melhor que há.

1 comentário:

  1. muito bom! ;)
    consigo imaginar cada detalhe....
    e afinal, o que são umas gotas de chuva no meio de tanta felicidade!?
    nada. são do melhor que há. :)

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