Brilho

Sempre à espera que os seus dias brilhem!

domingo, 27 de maio de 2012

Dignificar o caracol


Não se vai falar da beleza de uns cuidados cabelos com caracóis e das tendências capilares para este verão.



Também não se vai falar dos benefícios da baba de caracol para a pele.



Mas aproveita-se esta imagem doce da menina com o molusco hermafrodita, como deixa para uma pequena dissertação sobre o amigo caracol, que já alimenta o homem desde a pré-história.

E porquê? Porque os comemos e não lhe damos o devido valor social. Injustamente!Vejamos...

Visualizar uma divertida mesa de amigos, um casal de namorados, ou marido, mulher e filhos a comer caracóis ao fim da tarde, num dos dias de fim-de-semana, veraneante, é um programa alternativo a uma qualquer presença num festival de verão ou ida à praia, igualmente delicioso.

Não convém fazê-lo em modo voyeur, porque os agarrados ao caracol, tal como o nudista numa "praia de nús" snifa à légua olhares maliciosos nas dunas, topam estes estudos quase científicos e ostracizam os anti-rastejantes.

Faz-te munir de uma jola e de um pratalhão de caracóis. Se possível, investe numas caracoletas e aí és rei e senhor do disfarce.

Começa então a análise, enquanto tu próprio te lanças ao bicharoco.

                                               Cartaz do Festival Saloio do Caracol de 2011
   A Câmara de Loures avançou as datas para este ano - entre 13 e 29 de Julho de 2012


Ora bem. Nestas frequentes incursões, que se repetem verão sim, verão sim, pelas tascas e snack bares do nosso Portugal, festivais à parte, e independente do ajuntamento em causa, eles estão sempre lá:


Os tímidos/coquetes


Retiram delicadamente o palito do paliteiro, não assentam os cotovelos nas mesas e, pacientemente, fazem o tadinho sair da casota.

Participam neste ritual porque não podem recusar algo tão culturalmente português.

Sacrificam-se pela cultura, única e exclusivamente para elevar o país.

Levam o caracol à boca sem fazer qualquer aproximação da cabeça à mesa.

Parece que degustam ovas de um animal em vias de extinção, tal é a finura na performance.

Há um rigor espartano na relação homem/caracol.

O homem mostra a sua superioridade ao caracol, que o serve e não há espaço para grandes intimidades.

Geralmente, os tímidos não sorvem o molhinho do caracol, não fazem aqueles barulhos estranhos e limpam invariavelmente os cantos da boca após consumirem dois a três amiguinhos.

Bebem um panachézito e ficam-se por ali.

Nunca pedem mais um pires e o prato que têm à frente fica geralmente limpo e imaculado.

As cascas de caracóis parecem quase bibelots decorativos, estratégicamente colocados no prato.

Quando estão em convívio, parece-lhes um alívio, acabar com aquela brincadeira devassa.


    As imagens das travessas de alumínio, aqui colocadas, não eram muito apelativas!

Os assertivos

Fazem aquilo que se espera.

Convivem afavelmente com as travessas de caracóis, bebem duas ou mais jolas, e socializam em simultâneo.

Guardam sempre alguma compostura à mesa.

Não se dão a grandes desvarios, mas nota-se-lhes já algum desprendimento na tarefa.

Poderiam estar a comer camarões, ostras ou outra iguaria qualquer e estariam igualmente à vontade.

Mandam vir mais pão tostado, gabam o tempero ao empregado.

Nos finalmentes, têm normalmente alguns copos vazios à frente e ligeiras nódoas de molho na toalha de papel.


                                                              Trânsito congestionado

Não se incomodam nada de ir ao hipermercado mais próximo de casa comprar uma saca de caracóis, que cozinham para os amigos.

Convivem tranquila e salutarmente com a espécie.


Os tresloucados

 Esses, não têm dó nem piedade.

Uma vez sentados à mesa, deixam de ouvir, deixam de falar.

Cegam só com o cheiro dos pratos ao lado.

Stressam com a demora no serviço e põem os demais convivas num reboliço.

Quando a travessa chega à mesa começa a competição.

São poucos os segundos que medeiam entre um caracol e outro.

Arrepanham-se os caracóis da ponta oposta da travessa, os maiores e os que espreitam com as cabeças de fora.

Só depois sacam do palito e partem para os que, escondidos, dão mais luta.

As sorvidelas de molho são altas e ruidosas e há uma grande proximidade entre a boca e os caracóis.

O prato é uma montanha de cascas crescente.

 Não há guardanapos que cheguem e imperiais, ó pá, venham elas....

As travessas sucedem-se e é dificil regressar ao mundo real.....

Pode já estar toda a gente com vontade de partir em debandada que o fulano não se enxerga.

Continua, para ali, entregue à bicharada.

O molho está em toda a parte, a toalha de mesa rasgada.

Tem à mesa o comportamento idêntico ao de uma criança de cinco anos, todavia abusa da sua maior destreza e ninguém o demove.

 Nestes anos de pesquisa, coisa que ainda não se avistou foi um casal a levar caracóis à boca um do outro, em sinal de amor...esse seria o degustador Apaixonado!

Também não é hábito ver comer rastejantes gourmet. Estes apreciadores não andam nas tascolas....


                                                                 Que lindos Escargots!

Não há altura melhor que uma bela caracolada para se apurar o grau de refinamento de uma pessoa.....















2 comentários:

  1. Olá Something, eu sou a Manuela, o outro elemento do "staff" do desafio "As Amantes do Verão" e como ainda não tinha tido oportunidade de vir conhecer o teu cantinho, aqui estou eu. :)
    Obrigada pela tua adesão ao nosso desafio, pela partilha e espero que te divirtas muito!
    Beijinhos.

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    Respostas
    1. Obrigada Manuela. Chamo-me Patrícia.
      Vai ser giro.
      Fico à espera de mais notícias.
      Se tiver dúvidas, melgo-te.
      Bjsss

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