Brilho

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quinta-feira, 15 de março de 2012

Longe do meu coração

Júlio Magalhães relata-nos, em "Longe do meu coração" a saída de Joaquim, nos anos 60, de um Portugal que não o deixava crescer, para terras francesas.

A escrita do autor é tão visual que se consegue acompanhar Joaquim, no difícil "pulo" em Vilar Formoso, respira-se com dificuldade, quando as polícias inspeccionam a carrinha em que se deslocava e torce-se para que não descubram que ele e outros tantos portugueses estão no espaço exíguo que transporta o gado. Os corações alegram-se quando consegue, com o seu amigo de infância, completar a travessia até França.

A dura adaptação a bidonville, a luta diária pela concretização de um sonho - abrir uma empresa de construção - a decisão de continuar a estudar e tentar emergir como igual, a perda do amigo, são retratadas de forma tão real, que é impossível não nos solidarizarmos com os milhares de Joaquins que, em iguais circunstâncias, deixaram o país.

A bela história de amor por uma francesa doce e perfumada e o desafiar de convenções são igualmente comoventes.

Estas páginas de luta para a glória de um homem que, só quase duas décadas mais tarde, já pai de dois filhos, faz as pazes com o país que o viu nascer, tornam-nos mais próximos de uma realidade que, actualmente, com outros contornos, nos começa a ser familiar.


1 comentário:

  1. Uma realidade que se volta a repetir passados 50 anos! Apenas os países de destinos são outros. Presentemente, emigra-se para países que foram colónias portuguesas e de onde, ainda muito recentemente, recebiamos os seus nacionais (Brasil e Angola).
    As voltas que a história dá!
    Contudo, o nível de habilitação académica destes novos emigrantes é bem diferente daqueles que, na época de sessenta partiram, essencialmente rumo à França e Alemanha. A grande maioria era analfabeta!
    A nova realidade educacinal, tem consequências diferentes, quer para os que partem, quer para os que ficam.
    Se por um lado os que, actualmente, emigram têm formação técnica e académica que lhes permite competir no mercado do trabalho, em pé de igualdade, com os cidadãos dos países de acolhimento, noutros casos, esse nível de conhecimentos é superior, colocando-os em vantagem o que, consequentemente, implica a obtenção de trabalho melhor remunerado.
    O verso da medalha é que Portugal está a perder os jovens detentores dessas habilitações, correndo o risco de, e contrariamente aos das anteriores gerações, perdê-los definitivamente para os países de acolhimento.
    Desenganem-se, estes novos emigrantes não vão enviar as suas economias para este pequeno país no sul da Europa e construir uma casa na aldeia para virem passar férias, no verão, e para quando aposentados habitar, regressando à terra que os viu nascer. Estes não vão voltar!
    A Portugal restará uma população idosa e com parcas habilitações!

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